quarta-feira, 18 de abril de 2012

Um dos maiores "caldos" da minha vida.


Desde Abril de 2010 que não surfava na Arrifana.
Pela minha falta de inércia, uma vez que os meses de inverno tem sido duros, agitados e por isso a minha camada adicional de isolamento evidenciou-se.
As ondas lá são um pouco mais fortes do que as ondas aqui da minha área onde surfo e é preciso estar apto física e mentalmente para entrar nos dias melhores. (maiores)
Cronometrei a remada até ao outside, a ondulação que entra pela praia e que tento ultrapassar a cada “bico de pato”, batem-me as ondas nas costas durante a remada. Depois de 5 minutos a remar, entro na zona de rebentação de uma esquerda perfeita.
O surf nesse dia estava perfeito, um swell limpo e moldado pelo vento offshore, à fundo a luz do sol que se ergue acima de mim, reflecte no banco de areia o meu destino.
Encontrava-me no ponto exacto, posicionei-me para a apanhar mas ela levantou-se por cima do banco de areia com toda a sua força e sem me dar qualquer hipótese atirou-me para o fundo.
Depois resistir a máquina de lavar durante alguns segundos, consegui vir ao de cima e respirar algum oxigénio, de novo deitado na prancha, remei para o pico e esperei novamente pela entrada do set, e remei um pouco mais longe ainda e foi então que ela apareceu, levantou-se e levou-me com ela.
Foi a primeira "onda" desse dia inesquecível, o que me deixou bastante feliz, com um sorriso rasgado sempre que me lembrava daquele momento.
O que se seguiu foram uma série de eventos que me envolveram e me ensinaram o quão pequeno sou.
Um set vassoura entrou pela praia e varreu tudo o que estava à sua frente, incluído eu!
Não me recordo quanto tempo fiquei debaixo de água, senti um puxão e logo de seguida fiquei mais leve, percebi automaticamente que tinha perdido o leash, tentei vir ao de cima já com as ultimas reservas de oxigénio a acabar, quando finalmente consegui vir ao de cima, pensando que já poderia descansar, veio mais uma e outra e outra, ao todo devem ter sido umas 5 ondas, sempre no limite, sem prancha, apenas eu e as ondas.
Depois de tanta agitação, finalmente consegui descontrair a mente, respirar e relaxar um pouco até começar a nadar de volta à praia, apenas os meus pensamentos e meu ego esmagado e frágil na companhia de ondas que imponentes continuavam a bombear a praia.

Chegado à praia, depois de algum tempo sentado na areia, levantei-me (corajosamente) e caminhei até ao meu carro, onde aí poderia novamente sentar-me e repensar sobre o sucedido.

Precisamente nesse momento, decidi concentrar-me e iniciei o primeiro parágrafo deste texto.•
Surfei apenas uma onda de 8 segundos, mas foi o suficiente para não esquecer este dia e com ele mais uma grande lição de humildade dada pela mãe natureza!

Texto: Quim

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